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Primeira Infância

Sobre a Primeira Infância

Na América Latina há 80 milhões de crianças que vivem em situação de pobreza. Desse total, 17,9% vivem em condições de pobreza extrema (32 milhões). Os dados são de um informe elaborado pela Comissão Econômica para América Latina (Cepal) e Unicef. Nele se estabelece que dos países da região, a Argentina ocupa o terceiro lugar em qualidade de vida das crianças pobres, atrás do Uruguai e da Costa Rica. Mais abaixo aparecem Colômbia, Brasil, México, Perú, Bolívia e Honduras, entre outros. O critério utilizado não é só a renda, mas também as possibilidades de acesso aos serviços básicos como educação, saúde, água potável, alimentação e informação. Sobre o cenário atual que vivemos, o novo relatório da ONG britânica Save the Children (2017), intitulado “Em dívida com a infância”, apresenta uma situação alarmante em nível global. É preciso, talvez mais do que em outros tempos, que todos os países unam esforços para prevenir e combater a violência. Um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU (Organização das Nações Unidas), diz claramente que se faz necessário “reduzir significativamente todas as formas de violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos os lugares” e “acabar com abuso, exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura contra crianças”.
O número de homicídios de crianças e adolescentes na América Latina e no Caribe é maior que o número de mortes do mesmo grupo de jovens resultantes de conflitos armados no Oriente Médio e no Norte da África. Isso significa que a violência indiscriminada nesta região já mata mais que conflitos formalmente deflagrados, como as guerras na Síria, Iraque e Afeganistão juntas. No mundo todo, um em cada três homicídios de crianças é consumado na América Latina. Esses dados fazem parte do relatório “Um Rosto Familiar: A violência nas vidas de crianças e adolescentes”, lançado internacionalmente pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a infância), em 2017. Podemos dizer que na América Latina e Caribe temos a infância mexicana, a brasileira, a chilena e boliviana, equatoriana e venezuelana, uma guatemalteca, outra cubana. Tantas infâncias quantos países, tantas infâncias quantas culturas. Não são apenas as condições geográficas que determinam as diferenças, mas também a economia, etnia, clima, linguagem e pensamento, possibilidades, experiências e as oportunidades (DIDONET, 2017). Conhecer nossa diversidade cultural e as nossas crianças são condições fundamentais para formular políticas públicas adequadas e assertivas. Nos dias atuais, independentemente da condição social, a segregação e a violência limitam o acesso das crianças à rua e aos espaços públicos. A rua deixou de ser o espaço da brincadeira, do contato com o outro, da interação pública e do reconhecimento da diversidade.